IGUALDADE SEXUAL = RESPEITO

De Metamorfose


Não temos um corpo. Somos um corpo. Assim como somos mente, emoções, alma e espírito.

Nosso corpo é parte do que somos, é também o que somos, portanto o respeito para com ele, e para tudo com o que ele esta relacionado, é respeito para conosco.

Ontem assistia a minissérie MAYSA – que conta a história desta talentosíssima cantora, de extraordinária personalidade e sensibilidade – quando em um certo momento, Ronaldo Boscoli, depois de dormir centenas de vezes com a cantora a chama de gorda.

Se divide um momento de grande intimidade com a outra pessoa, o sexo, e depois se desrespeita a pessoa desta forma!

Não foi este episódio que me inspirou a falar sobre este assunto aqui. Ele só veio somar com a idéia que já tinha em mente, depois de presenciar em alguns programas de televisão a forma como a mulher que vive a sua sexualidade autenticamente e com liberdade é denominada e tratada.

Na maioria das vezes as novelas e minisséries retratam a cultura, o pensamento, o comportamento, de um povo, de uma sociedade. Infelizmente percebemos - não só através destes programa, é claro, mas na vida real também - que a mulher ainda não conquistou a igualdade pretendida e de direito,simplesmente porque ainda não conquistou o respeito.

E o respeito que falo aqui não é o de parecer uma moça bem comportada, uma moça de família, expressão que ainda insiste em vigorar, quando todos sabem, que moças de família também sentem desejo, prazer, e vivenciam plenamente a sua sexualidade como bem entendem, com quem bem entendem, na hora que bem entendem.

A sexualidade da mulher é muito poderosa, e mesmo nos dias de hoje, ainda existem muitas mulheres que não a reconhecem. Exatamente por este poder tão grande da sexualidade feminina que houve tanta repressão. Pois quando não se consegue dominar algo, ou entender, a tendência é reprimirmos o que não consegue ser contido. Foi exatamente isto o que o Patriarcado fez...e faz, pois infelizmente ainda está vigente.

A sexualidade do homem e da mulher são diferentes, pois enquanto o homem relaxa com o sexo, a mulher se revigora, como bem disse minha amiga LYDIAH.

E isto se dá exatamente pelas diferenças de energia, a mulher é receptiva, enquanto o homem é doador. É por isto que quando acabam o momento de prazer o homem fica mais quieto, muitas vezes quer dormir, enquanto a mulher fica com a corda toda, quer conversar, etc. E aqui vale o respeito, por ambas as partes, pelas diferenças.

Eu dificilmente consigo dormir depois do sexo. O que faço então? Pego um livro para ler, ou algo para escrever. Não, não vou ficar sacudindo o homem ao meu lado que precisa dormir. Leio meu livro enquanto ele esta dormindo ao meu lado abraçado comigo. Pois é, isto é respeito, é entendimento, embora eu ache que podemos respeitar sem entender.

Mas e o respeito por nós mulheres? Quando falo em programas de televisão, por exemplo, falo do quanto vejo personagens, e a maioria esclarecidas, chamando de "vadia" uma mulher só porque ela faz sexo com vários homens.

E isto ainda não muda! O homem pode ter mil mulheres, que o máximo que consegue é ser chamdo de "galinha". Ele não é difamdo, ele não é marginalizado. Já a mulher é mensoprezada, chamada de vagabunda, vadia, etc.

E é incrível porque a mulher talvez tenha uma capacidade sexual maior que a do homem, como também uma capacidade de amar, ou melhor, de se doar, maior que a do homem. Talvez aqui esteja todo o motivo para a repressão sexual nas mulheres. Seria bom refletir sobre este parágrafo.

O pior de tudo é que muitos dos que acusam as mulheres são também mulheres, e que muitas vezes se comportam do mesmo jeito, mas sempre acham que seu caso é diferente. Ou então, acusam as outras só para ofender mesmo, já que têm uma rivalidade.

E é nisso, o que muita gente não sabe, entra de novo o Patriarcado, aliás sempre, pois somos frutos dele. O Patriarcado destruiu há muito uma irmande de mulheres, pois mulheres são irmãs e amigas em sua essência. Na verdade, algo que condiz exatamente com o feminino, a saber a compaixão, a solidariedade, a certeza da abundância que existe no Universo, o que faz com que não precisemos ser competitivas uma com as outras, pois sabemo que há para todas.

A competitividade é algo extremamente masculino, mas que foi incutido nas mulheres como algo também feminino, assim como a vaidade, e muitas vezes tendo esta como base. Porém, não é a vaidade que nos pertence, e sim a beleza. Não falo só da beleza estética. Falo da beleza que vem de dentro e que se reflete no externo. A beleza da sensibilidade, da solidariedade, do carinho, do aconchego, da criatividade e da autenticidade. A vaidade é uma deturpação disto. Não falo da viadade como gostar de se cuidar, passar um batom, usar um perfume. Falo da vaidade que é nociva, que compete, que quer ser mais do que as outras. Isto é porque não vemos a verdadeira beleza em nós e estamos cruelmente influenciadas pelo Patriarcado, uma sociedade dominada pelo masculino.

Porém, o desrespeito não vem só das mulheres, claro, vem dos homens também. E é triste ver um homem que partilhou um momento de intimidade com uma mulher, o sexo, com já falei, dando e recebendo prazer, tratando aquela mulher como alguém indigna de respeito só por não ser ela a sua namorada, ou só porque ela tem uma vida sexual livre, ou só porque ele não sente nenhum sentimento mais forte por ela.

Por mais selvagem que seja uma relação sexual, são duas pessoas que estão ali, se entregando, se expondo, de igual para igual. Não precisamos amar, não precisamos estar apaixonados, não precisamos ter um compromisso. Mas será que não dá para ter um pouco de carinho e respeito por alguém que fez algo bom com você? Que te deu alguma coisa?

Acredito que enquanto as mulheres não impuserem este respeito nada vai mudar significativamente como mercemos e queremos. Como fazer? Sendo solidárias umas com as outras, não julgando, e principalmente termos um verdadeiro respeito por nós mesmas e pelo real feminino. Quando falo em termos respeito por nós mesmas é não abaixar a cabeça ou sermos sonsas, é sim erguermos nossas cabeças e sermos nós mesmas, autênticas, acreditando em nossas verdades interiores, mesmo que precisemos ser transgressoras, irreverentes e excêntricas, como MAYSA.

Anna Leão. Todos os direitos reservados.

Comentários

Anna, é mesmo muito triste como a doença patriarcal se infiltra pelo discurso e se espalha como padrão ainda em 2009... Viva para as bruxas!!!!
Anna Leão disse…
É muito triste sim, querida amiga! Lamentável! Mas um dia a gente consegue...

E viva para as bruxas!!!!!!

Beijo,
Anna
andrea disse…
Concordo completamnete com seu post, principalmente no que se refere à capacidade sexual feminina, é incrível como algo tão recriminado é extremamente superior ao dos que recriminam.... parece até uma certa inveja... acredito até que as próprias mulheres que adotam esse comportamento muitas vezes deixam-se influenciar de tal forma por esse patriarcado que não se liberam sexualmente, e só tem como válvula de escape manter-se num padrão de comportamento arcaico e sem paixões, emoções, prazeres, dentro de toda lógica feminina que é ótima de ser vivida, libertina e de grande satisfação pessoal e individual... o homem q n entende mulheres com essa liberdade sexual tb a meu ver é extremamente frustado, pq se relaciona com mulheres fechadas e as encoraja a ter esse comportamento... tornando-se insatisfeito msm ao lado de uma mulher q pro seu próprio padrão é perfeita... é uma questão cultural arcaica e enraizada que mulheres como nós devem abrir mão a nossa maneira... se possível de forma discreta e delicada, pq liberdade, principalmente a sexual n precisa necessariamente ser escrachada e grosseira... mas de qq forma a mulher q escolher demonstrar dessa forma por mim tb n será julgada, o importante é obedecer um velho ensinamento wicca de que nossas atitudes só não devem interferir na vida os outros prejudicando-os,entrando nesse rol dos outros nós mesmas! seu blog é uma delícia anna! parabéns!