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CAZUZA- NEM TUDO É PRETO E BRANCO!

De Metamorfose


Somos seres humanos, temos luz e sombra, temos contradições gritantes e muitas vezes somos incoerentes. Não somos bandidos, nem mocinhos, pois no fundo isto não existe.

Recebi nestes dias um e-mail que destrói a imagem de CAZUZA como um artista e o coloca como um marginal. Uma psicóloga aterrorizada depois de assistir ao filme sobre a vida do músico, alerta sobre valores e culto a ídolos errados.

Bom, vivemos numa sociedade que tem o mau hábito de cultuar ídolos. Como somos seres imperfeitos, com nossas próprias idiossincrasias, sou contra o culto a ídolos humanos, mas não contra a admiração que devemos ter por alguém.

Não admirar o artista CAZUZA é ser alguém que não consegue mergulhar no caos de si próprio, algo muito perigoso para quem trabalha com a psique do outro. Bem, a não ser que a pessoa ache que não exista o seu caos interior por ele estar tão , mas tão reprimida. Nossa, mas perigoso ainda!

Já vivemos a época do maniqueismo e isto não dá certo, mas também não compactuo com uma sociedade que tem como lema o levar vantagem em tudo. Só que as coisas não são tão simples e tão fáceis como um visão maniqueista gostaria que fosse.

É tudo muito mais complexo e profundo do que uma simples crítica e contestação dos valores.

Lembro quando eu assisti ao filme A LISTA DE SCHINDLER e percebi a humanidade do personagem principal. Falo humanidade exatamente por que ele não se mostrou perfeito, embora fizesse algo grandioso para ajudar pessoas que ele não conhecia e que passavam por uma terrível tragédia, desumanidade e preconceito.

Foi assistindo a este filme que sai de minha inocência (talvez onde a psicóloga ainda esteja) e percebi que possamos ser anjos em uma determinada área de nossas vidas e demônios em outras.

O homem interpretado pelo ator LIAN NEESON era um santo homem ao ajudar os judeus, mas um péssimo marido, segundo sua esposa, tendo inclusive várias amantes.

E isto nós vemos a todo instante, pois é a natureza humana. Por mais que queiramos nos aperfeiçoar e evoluir, ainda estamos caminhando. E mergulhar em si mesmo, no caos pessoal e tamém coletivo (já falei isto no blog) não é só um ato de coragem, é essencial para a evolução pessoal e da alma, coisa que a repressão ( em si ou nos outros) só dificulta.

Quantas vezes não me decepciono comigo mesma por perceber que estou agindo num determinado momento exatamente contrária aquilo em que acredito?

Mas levento a cabeça e sigo em frente, um pouco triste comigo, mas não esquecendo que sou humana, que ainda tenho muito que evoluir e aprender, pois não sou santa, não sou anjo e nem exemplo para ninguém, apenas sinto e penso, e divido isto com meus leitores.

CAZUZA dividia seu mundo interior, tão rico e intenso, com seu público através de suas letras e música dotadas de grande sensibilidade e valor.

Ela falava por muitos e para muitos. As pessoas podiam se identificar com sua dor, sua alegria, sua intensidade, sua perversidade e sua bondade.

Falo aqui do artista CAZUZA, pois ele como pessoa eu não conheci, mas através de sua música, dá para perceber que foi e é alguém que não se pode desprezar. Errou na vida? Sim, em alguns momentos, como todos nós. Mas também acertou muito, principalmente quando nos deu um pouco de si, ou muito, talvez até a melhor parte, através de sua arte.

Me admira sinceramente que uma psicóloga não veja a riqueza da alma de um ser como CAZUZA através de seu trabalho.

Anna Leão

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