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REFLEXÕES

Sabedoria... Pictures, Images and Photos

“Ciência é conhecimento organizado.
Sabedoria é vida organizada”.

( Immanuel Kant)


Há muito este pensamento de Kant me fez refletir sobre o que na verdade estas palavras significam.

Hoje em dia percebo a sabedoria muito além de uma mera organização. Tudo bem, Kant fala aqui de vida organizada, algo que já nos remete há algo mais abrangente e elevado, se é que pode-se uasr este termo.

O que quero dizer aqui é que para mim a sabedoria está muito além da organização no momento em que ela precisa também estar íntima do caos.
Este caos que habita cada um de nós, que talvez possamos traduzir por inconsciente, ou sombra, ou as profundezas de nossa psique.

Porém acho que a verdadeira sabedoria não necessita só do mergulho profundo no caos pessoal, mas também no caos coletivo. É o fato de podermos estar tão inteiros, tão centrados, tão à vontade com o nosso próprio caos interno que conseguimos acessar e ficarmos também à vontade com o caos coletivo, o inconsciente coletivo, o Universo.

Talvez o que Kant queira dizer aqui seja exatamente isto, vida organizada a partir do caos, embora eu acredite que este não possa ser organizado. Acho que a questão aqui é saber lidar com o caos, compreendê-lo em tudo e em todos, mas sem interferir.

A compreensão sem interferência no caos talvez seja a sabedoria. A sabedoria é quando se transcende o caos. Será isto sinônimo de vida organizada segundo o pensamento de Kant?

Vou ser sincera com vocês, nunca li Kant. Talvez eu esteja sendo muito ousada em colocar aqui meus pensamentos em cima de uma frase de um filósofo cuja a filosofia eu desconheça. Mas sinceramente a frase me intriga há tempo e deparando-me com ela novamente em minhas anotações, não resisti ao ímpeto de dividir aqui com vocês esta minha reflexão.

Faço um link agora com o livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Continue a leitura, por favor.

Anna Leão


MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS

De Metamorfose



O livro que aborda vários contos folclóricos e contos de fada de uma perspectiva junguiana na interpretação da psique feminina traz em todo o seu corpo a importância de estarmos íntimas e integradas com todos os aspectos desta psique. Não seria isto uma proposta à intimidade com o nosso caos pessoal?

Um dos contos que mais gosto do livro, assim como de sua interpretação e ensinamentos, é o de Vasalisa,do folclóre russo. Nele a autora nos coloca a importância de mantermos nossa psique organizada. Baba Yaga, “o arquétipo” da Mulher Selvagem confere várias tarefas a inocente Vassalissa, que com a ajuda de sua boneca ( sua intuição) consegue dar conta de tudo.

Estas tarefas domésticas na verdade são símbolos das tarefas para com o nosso self. E estas tarefas domésticas impostas por Baba Yaga são exatamente as tarefas de interação com o nosso feminino selvagem. Aquele que precisa ser conhecido, reconhecido, aceito e valorizado.

É acessando nosso caos pessoal e desconhecido que podemos dar conta desta força primitiva e natural dentro de nós. A partir daí precisamos purificar nossa psique e mantê-la organizada, usando as tarefas de Baba Yaga, que também é a Mulher Sabia, o que ratifica a minha idéia de que a sabedoria precisa passar pelo caos para ser legítima e verdadeira, e não apenas uma simples esperteza.

Quero enfatizar aqui para quem não conhece o livro e nem o assunto referente a Mulher Selvagem ,que este ser selvagem é algo positivo, natural, inerente ao nosso ser feminino, a nossa psique. Quanto mais distantes estamos de nossa Mulher Selvagem, mas doentes psiquicamente estamos, o que se reflete no físico, mais confuas nos tornamos, fracas, neuróticas, fáceis de manipular.

Ser selvagem aqui não significa ser uma canibal ou mal-educada, mas significa sabermos ser mal-educadass quando a situação exige. Significa sermos nós mesmas, autênticas, livres, criativas, generosas, inuitivas, instintivas, vicerais, inspiradas, apaixonadas.

A mulher que está em sintonia com o seu lado selvagem está plena de sua energia vital, sabe amar profundamente, é alegre de verdade, exuberante, sabe rir e ter prazer sem medo ou constrangimento. Ser selvagem é estar em comunhão com a essência feminina.

Não esquecendo que a psique feminina é diferente da masculina, voltando a Kant, será que ele se referia ao que Clarissa Pinkola Éstes se refere? Bom, dentro da minha psique feminina é assim que interpreto as palavras de Kant.

Anna Leão


Deixo mais um link com vocês a seguir.


TECENDO VASSALISSA

De Metamorfose


Ainda continuando a falar de Vassalissa e Baba Yaga, ontem fui a uma peça teatral infantil que conta exatamente a história de Vassalissa e Baba Yaga. TECENDO VASSALISSA tem texto e direção de MÔNICA ALVARENGA, que tive o prazer de conhecer.

Sabe aquela peça de teatro que é gostosa de assistir? Lindo cenário, figurino, bons atores e um texto lúdico, profundo e sábio, passando os ensianamentos de Baba Yaga de uma forma sutil à criança que assiste feliz aquele conto de fadas, ops, de bruxa.

Mônica não coloca a mesma versão que está no livro de Clarissa. Embora o conteúdo seja o mesmo, o final, digamos, é mais completo, bem ao gosto do público infantil e do meu lado romântico. Mas não é só isto não, a versão de Mônica traz outros ensinamentos, mostrando outra fase do ciclo permanente de vida-morte-vida.

Vale à pena assistir e levar as crianças. A peça está em cartaz no Teatro do Leblon (sala Fernanda Montenegro), sábados e domingos, ás 17 horas. Fica até o dia 21 de dezembro.

Boa peça!!!

Anna Leão. Todos os direitos reservados.

De Metamorfose

Comentários

Anna, muito estimulante a sua interpretação kantiana. Não sei onde está a referência da citação,se é coerente com o contexto da filosofia dele etc, como vc mesma colocou. Mas a sua leitura me lembrou um dos poucos acréscimos que Michael Almereyda fez ao Hamlet que filmou. O famoso ser ou não ser de SK aparece em alguns momentos, em fragmentos, e um deles com a inserção de um pensador vietnamita (infelizmente não lembro o nome dele!) que falava que sempre se é em relação a alguma coisa, ou seja, ser ou não ser não é a questão... Mas ser ou não ser em relação a algo sim! O caos faz parte e estou com vc, não dá pra organizá-lo (ele já nem seria o que é...), mas dá pra organizar a nossa relação com ele... Saudades!
ANNA LEÃO disse…
OBRIGADA, CARMINHA!

TB NÃO ENCONTREI A REFERÊNCIA DA FRASE. MAS SE PENSARMOS BEM, INTERPRETAÇÃO É ALGO TÃO PESSOAL, NÉ? NÃO SEI COMO AS ESCOLAS AINDA INSISTEM NA INTERPRETAÇÃO DE TEXTO DE UMA FORMA "QUADRADINHA".

BEIJO GRANDE E SAUDADES TB!!!
ANNA

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