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MATERNIDADE


A comemoração do Dia das Mães está chegando e trago para vocês as minhas reflexões sobre a maternidade.

Não acho que toda mulher deva ou queira ser mãe. Acho que existem vários tipos de vidas, de mulheres, de produções e criações. Eu, pessoalmente, sempre quis ser mãe. Tenho um lado maternal muito forte. Desde pequena sonhava em ter muitos filhos. Acabei que tive duas filhas e as criei sem um pai presente. Sendo bem sincera, digo que nunca me importei com isto.

Eu vejo a maternidade como uma missão. Algo que, infelizmente, está desvalorizado, banalizado, e muitas vezes deturpado. Neste mundo atual, que precisamos tanto fazer e acontecer, ser só mãe não dá status. Mas a energia que despendemos, o tempo de que  precisamos para sermos uma mãe presente e atuante na educação e criação de nossos filhos, sem falar na responsabilidade que é, e a satisfação que dá, já justifica uma existência. A saber, a nossa, que somos mães.

Nós produzimos, criamos, ensinamos, nos preocupamos, cuidamos, nutrimos, brincamos, brigamos, sentimos diversas emoções com e por nossos filhos, e ainda por cima, amamos. Não está bom? Precisa de mais para sermos valorizadas como pessoas, como indivíduos?

Claro que temos interesses próprios, e eles variam de mulher para mulher, tanto a quantidade, como o tipo desses interesses. Precisamos também de tempo e espaço para nós (Ah... E como eu preciso!). Porém nada disso impede a maternidade, nem a maternidade impede tudo isso. O que precisamos é nos conhecermos bem, saber até onde podemos ir. Conhecermos os nossos limites e decidirmos se dá para ser a Mulher Maravilha ou não. Aliás, não me lembro dela com filhos; para falar a verdade, de nenhum super-herói. Será que isto quer dizer alguma coisa? Pensemos…

Acho que não existe um tipo ideal de mãe. Cada mulher vai ser mãe do seu jeito, de acordo com a sua própria natureza. Abaixo os estereótipos e rótulos. Agora, o que é preciso é estar inteira no que se faz, em tudo, inclusive, na maternidade. Falo isto porque me choca profundamente ver mães de meninas pequenas, com bom padrão de vida, que reclamam que vão entrar de férias, puramente porque este fato implica que passarão todo tempo com suas filhas. Outras dizem que não conseguem ser mães 24 horas por dia; e as poucas horas que estão fazendo um programa com suas meninas, estão com cara de tédio. Por que as trouxeram ao mundo? Para agradar ao marido, `a família, à sociedade, ou simplesmente, porque queriam mostrar que são mulheres completas?

Tanta coisa está envolvida neste contexto, que se a gente for se aprofundar mais na questão, vamos encontrar mulheres perdidas em si mesmas e no mundo. Fruto de uma sociedade com valores tão disparatados e truncados que confunde a todos. Ninguém é uma coisa só, muito menos se consegue ser apenas uma coisa por 24 horas todos os dias. A questão é como o assunto é abordado: com uma frase clichê negando a importância e o prazer da maternidade.

O que fazer então? Penso que se aprofundar em si mesma, buscar o autoconhecimento e a própria verdade interior. Conhecer suas verdadeiras vocações. Eu, particularmente, acho isto tão prazeroso! Conhecer nossos verdadeiros anseios, os nossos próprios sentimentos, os nossos próprios talentos e potenciais. E antes de tudo, não nos preocuparmos com as aparências e sim com o que realmente nos traz satisfação.

Você pode ser uma excelente mãe de uma forma não convencional. Quando falo em ser excelente, entra aqui a dedicação e o prazer, pois não podemos ser excelentes em nada que não nos dê prazer. E quando temos prazer nos dedicamos. Você só precisa buscar a forma que combine com você para exercer plenamente a maternidade.

Sonhei muitas coisas para a minha vida, uma delas foi ser mãe. Este sonho eu consegui concretizar. Ainda continuo sonhando muitas outras coisas e pretendo também realizá-las. E percebo que não teria espaço na minha vida, nem tempo, nem mesmo energia, para concretizar tudo que sonhei de uma vez só. Algumas áreas ficariam capengas, porque não dá pra ser tudo, pelo menos, não ao mesmo tempo. Hoje, mais madura, percebo que, contanto que me realize, prefiro estar inteira em poucas coisas, do que ser tudo pela metade. 


Por Anna Leão (Favor mencionar autoria e fonte ao reproduzir este artigo).


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