domingo, 8 de janeiro de 2017

A SABEDORIA LUNAR



Assim como com os Ciclos Solares, a sintonia com os Ciclos Lunares são de grande importância para vivermos em harmonia. Também somos Natureza, e influenciados tanto pelas estações do ano quanto pelas fases da Lua. Aliás, nós somos mais que influenciados pelos Ciclos Solares e Lunares. Nós somos interligados a eles e, por isso, a boa observação e identificação com eles nos proporciona um maior bem-estar e um melhor aproveitamento da vida.

Sabemos que a Lua influencia as marés, assim como o nosso humor. Conhecendo e nos sintonizando com suas fases adquirimos uma maior compreensão de nossas emoções e ações, assim como dos fatores externos que se apresentam em nossas vidas.

Dentro do Paganismo, na maioria de suas vertentes, associamos a Lua com a essência do feminino e das Deusas; assim como o Sol é associado à energia masculina e aos Deuses. Porém, isso não impede de encontrarmos Deusas personificando o Sol e Deuses personificando a Lua. A energia feminina e masculina permeiam tudo e todos. Homens que têm o seu feminino mais equilibrado com seu masculino sentem de uma forma consciente a força das mudanças de Lua, assim como mulheres com seu masculino mais equilibrado com seu feminino percebem de imediato as mudanças de acordo com o Ciclo Solar. Mas consciente ou inconscientemente, isso se dá o tempo todo, tanto com homens e mulheres, pois assim como tudo, são afetados por ambos os ciclos: Solar e Lunar. A verdade é que a dualidade é apenas uma ilusão que parece real na nossa dimensão.

Vamos, então, conhecer mais profundamente cada fase da Lua e o que esperar delas:

Lua Negra - Dentro de alguns ramos do Paganismo que atribui um aspecto da Deusa a cada fase Lunar, esta Lua representa a face escura da Deusa, a Deusa Negra. Este escuro nada tem de negativo, ou maligno, representa aspectos da existência regidos pela Deusa Negra que são considerados ainda como tabus pela atual sociedade. A sexualidade ( não em sua forma superficial , mas como força profunda e potente), a magia, o oculto, o inconsciente, são alguns desses aspectos.
 A Lua Negra é aquele período em que a Lua não aparece no céu. Ele pode durar de um a três dias dependendo da época do ano. Ela ocorre no final da Lua Minguante e antes da Lua Nova, quando esta desponta no céu em seu finíssimo arco.

Na fase Negra da Lua seu magnetismo está praticamente ausente. É um momento propício para nos conectarmos com nosso inconsciente e adentrarmos no vazio em busca de nossos potenciais. Deixemos os fatos seguirem seu curso e procuremos esperar a Lua Nova para iniciarmos algo.

Lua Nova - Esta fase da Lua está relacionada ao aspecto de Donzela da Deusa, assim como a Lua Crescente. Porém aqui, a Deusa se apresenta com uma força mais sutil do que na Lua Crescente, mas não menos poderosa.

Este é o momento de plantarmos as sementes para um novo ciclo. Devemos sempre iniciarmos algo novo aqui, mesmo que seja uma nova estratégia para um mesmo objetivo que não se concretizou ainda. É um momento repleto de possibilidades. Nos sentimos renovados e esperançosos, assim como cheios de ideias e projetos.

Lua Crescente - Aqui a Deusa Donzela possui o entusiasmo da juventude e avança sem parar. Ela quer chegar em algum lugar e usa todo o seu potencial para fazer com que as sementes plantadas produzam frutos.
 É um momento em que devemos nos colocar, fazer as coisas acontecerem; vencermos os desafios, jamais retroceder aqui! Vejo esta face da Deusa, esta fase da Lua, como a Donzela guerreira. Aquela que vai buscar o que quer, que ultrapassa os obstáculos. Não é um momento de reclusão, é um momento de externar, de se mostrar.

Lua Cheia - Na Lua Cheia a Deusa torna-se Mãe. Essa não é uma Mãe virginal como a do Cristianismo. Ela é uma Mãe-Amante, algo extremamente Natural para o Paganismo já que a maternidade presume a sexualidade. A sexualidade é tida como sagrada dentro do Paganismo e é sinônimo de vida! Vejamos as próprias crianças geradas do relacionamento entre Deuses e humanos, onde o ato sexual de fato ocorreu, e não apenas um sopro divino. Quando os Deuses queriam fecundar um mortal, eles se materializavam e praticavam o ato sexual.  Por isso a Deusa da Lua Cheia ser tão sexual, além de generosa e protetora. Por isso estarmos tão entusiasmados e colhendo o que plantamos. Aqui o magnetismo Lunar está em seu apogeu, o que faz com que as emoções, as ações e a sexualidade estejam em seu ponto máximo.
 É o momento de nos glorificarmos com nossos sucessos, ou nos frustrarmos com nossos fracassos, pois algumas sementes plantadas na Lua Nova podem ter vingado, enquanto outras não. Chegamos no momento da colheita desse Ciclo Lunar. Mas ela pode não acontecer, caso não tenhamos atuado com empenho na fase anterior. Aqui, se nossas expectativas se frustram, ficamos raivosos e irritados. Devemos, então, encontrarmos uma saída positiva para esses sentimentos e nos prepararmos para a próxima fase da Lua com serenidade. No entanto se a colheita acontece é um momento de muita animação e êxtase que deve ser celebrado com muita alegria.

A nível mágico, encantamentos feitos tanto na Lua Cheia quanto na Crescente têm muita chance de serem bem sucedidos. A Lua Cheia já começa a perder a sua força no dia seguinte do seu ápice por isto é aconselhado fazer os encantamentos até o terceiro dia depois de sua plenitude, embora eu ainda prefira os três dias anteriores. Sendo que a véspera de seu ápice, conhecida também como plenilúnio, é o melhor dia para magias de prosperidade e amor. Lembrando que o encantamento pode ser um pensamento ou uma afirmação, e que o cuidado de não interferir no livre-arbítrio de alguém é de extrema importância.

Lua Minguante - Esta é a face Anciã da Deusa. Ela traz cura, sabedoria e também o fim. Sendo que tudo isso pode ser relativo. Algo pode se iniciar aqui sim, trazendo cura ou sabedoria. Se não fosse assim nenhuma criança seria concebida ou nasceria numa Lua Minguante. Na magia, tudo deve ser interpretado com muita profundidade e sabedoria, se não, cai-se no risco dos clichês, estereótipos e informações erradas ou deturpadas. Muitas vezes, por exemplo, o que parece ser uma coisa é outra.
 Nesta fase Lunar há uma necessidade de seguirmos com o fluxo. Não devemos resistir como faz a impetuosa Donzela-Guerreira da Lua Crescente. É momento de acolher a sabedoria e cura da Anciã, deixando que ela leve (ou traga) o que é necessário para nós.

Devemos nos interiorizar e entrarmos em estado de introspecção, analisando com sensibilidade o ciclo que passou, nossos atos, perdas e ganhos. É época de nos purificarmos nos preparando para entrarmos no vazio da Lua Negra.

A Lua Minguante é o melhor momento para trabalhos de banimento e cura e também para términos, quando precisamos finalizar algo. Conversas difíceis podem ser tidas aqui, quando as pessoas estão com as emoções menos exaltadas. Assim, em vez de terminar uma relação, podemos apenas dar fim a um mal-entendido, conversando nesta fase da Lua em vez de na Lua Cheia.

Por Anna Leão (favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto)
 


sábado, 31 de dezembro de 2016

FELIZ 2017!!!



QUERIDOS LEITORES,

DESEJO A TODOS UM PRÓSPERO 2017!!!
QUE SATURNO, REGENTE DESSE ANO E DO NOVO CICLO DE 36 ANOS, NOS TRAGA SABEDORIA, MATURIDADE, CONCRETIZAÇÃO E ESTRUTURA.
...E  COLOQUE UMA ALIANÇA NO MEU DEDO, COMO O BELO ANEL QUE ELE  USA!

BEIJOS A TODOS!
ANNA


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A MAGIA DAS CORES



As cores são de grande importância em nossa vida por mais que não demos conta disso. Assim como temos a vibração do som, dos óleos aromáticos, dos florais, temos também a vibração das cores. Elas atuam em nosso psiquismo, está aí a cromoterapia. Mas vou mais além. Pretendo correlacionar aqui as cores com seus atributos dentro da magia. Não será muito diferente da cromoterapia, nem poderia ser, pois todas as terapias que usam o poder sutil altamente potente dos recursos divinos, são na verdade uma parte da magia. Mas alguns atributos não são tão importantes para a cromoterapia como são dentro da magia. Acender uma vela da cor correspondente ao que necessitamos é um ato mágico de grande poder, por exemplo. 

Resolvi então colocar aqui todos os atributos da cor em si, de uma forma bem ampla, e dentro do que acredito e experiencio em minha vida. Como iremos usar o poder dessas cores vai de acordo com a necessidade e a afinidade de cada um. Volto a falar da vela, que em termos de fazer as coisas acontecerem rapidamente é o melhor recurso no uso das cores. Mas aqui também fica a sugestão magico-cromoterápica de utilizar as cores no ambiente, no vestuário, nos alimentos e nas lâmpadas coloridas. Volto a repetir que tudo vai depender da intenção e do objetivo de cada um. 

Não me aterei somente as sete cores do arco-íris e dos chakras. Falarei de um espectro maior, mas também não abrangerei todas as cores existentes, simplesmente por falta de conhecimento sobre elas. E para encerrar todo este preâmbulo subjetivo, mas importante, não podemos esquecer que o poder das cores é imenso. Tanto é que muito temos de informação da existência de cores para nós desconhecidas, existentes em outros planos e dimensões. Cor é energia! 

Preto – Proteção, aterramento, banimento de energias negativas.Esta cor é como um manto isolante, a energia não passa e não sai, por isso é desaconselhável  estarmos vestindo-a numa sessão de acupuntura, por exemplo, pois a energia não circula. Em contrapartida, é excelente para usarmos quando precisamos de proteção. Dentro da Tradição da Deusa é a cor da sua face Anciã. 

Vermelho – Vitalidade, coragem, força, sexualidade, paixão, energia, proteção, removedora de obstáculos. É a face Mãe da Deusa. Uma cor muito positiva dentro da espiritualidade feminina, a cor do nosso sangue menstrual, de nossa força e poder. 

Branco – Purificação, saúde, paz, sinceridade, verdade. Cor da face Donzela da Deusa. Considero o branco uma cor também de proteção, pois ela é a reunião de todas as cores,  aqui estamos  na luz. 

Prata- Energia lunar. Magia, proteção da Deusa, dissolve negatividade. 

Dourado- Energia solar. Sorte, proteção, brilho, sucesso, remove obstáculos. Podemos também associar a cor dourada com uma Deusa solar, assim como a prata a um Deus lunar. 

Roxo- Sorte, sabedoria, austeridade, transformação. 

Lilásvioleta- Transmutação, meditação, espiritualidade, proteção, cura de doenças graves. 

Laranja – Vitalidade, saúde física, força de vontade, estimulação, adaptabilidade, amizade, auto-confiança. Usa-se também o laranja para a energia solar. 

Amarelo – Criatividade, poderes mentais, comunicação, intelecto, persuasão, confiança, mudança. 

Verde – Prosperidade, fertilidade, crescimento, dinheiro, sorte, saúde, emprego. 

Azul claro- Cura, tranquilidade, felicidade, paz, equilíbrio emocional, serenidade, paciência. 

Azul escuro – Mente subconsciente, psiquismo, cura. 

Rosa – Amor, autoestima, verdade, alegria, amor universal e incondicional. 

Marrom – Cura de animais, trabalho mágico com animais, o lar. 

Cinza – Neutralidade. 

Por Anna Leão (mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).




domingo, 18 de dezembro de 2016

O SIGNIFICADO DOS SONHOS



     Os sonhos são  muito importantes. Eles são uma forma de mantermos contato com nosso inconsciente e muitas vezes também com o inconsciente coletivo. Os xamãs, por exemplo, dão uma importância imensa ao que eles chamam de mundo dos sonhos. Eles não vêm esse lugar como algo apenas psicológico. Eles vêm como um mundo real, talvez mais até do que essa nossa realidade linear. E quem vai saber ao certo o que é a realidade? Se é que existe realmente uma única realidade, pois podem haver muitas acontecendo ao mesmo tempo, em dimensões diferentes, em mundos paralelos. 

     
Acho que os sonhos são algo extremamente pessoais, até mesmo seus símbolos podem variar muito de pessoa para pessoa. A relação de cada um com seus próprios sonhos também varia muito. Há pessoas que sonham com o corriqueiro, com coisas que estão vivendo, com seus anseios, desejos e preocupações. Outras já têm um contato mais simbólico com esse mundo onírico e, através dele, vão recebendo mensagens ou de seu próprio inconsciente ou de dimensões diversas. De qualquer forma, mensagens de um lugar que sabe mais do que a consciência da própria pessoa. Um lugar que pode ser o próprio indivíduo em seus níveis e corpos mais ampliados. Ou melhor dizendo, um lugar em que a pessoa em seu estado de vigília não consegue penetrar habitualmente, mas que através de sua consciência mais ampliada no momento do sono, consegue ter este acesso. 

    Aqueles que sonham com o cotidiano geralmente estão mais preocupados com a vida material e seus prazeres e desafios. Não, nenhuma crítica quanto a isso. Eu mesma tenho muito desses sonhos, mas também tenho muitos sonhos simbólicos e, estes, são extremamente pessoais. O que quero dizer com isso? Quero dizer que existem símbolos universais sim, mas que existem muito mais símbolos pessoais. Por exemplo, tenho uma amiga que diz que sempre que sonha com sapato sabe que alguém vai morrer. Por que ela sabe isso? Porque ela observou seus sonhos e percebeu a relação do sonho com sapatos e a morte de alguém conhecido. Eu já sonhei com sapato mais de uma vez e ninguém morreu. 

     É por isso que não acredito nesses almanaques de sonhos, nem mesmo na interpretação popular dos sonhos. Até mesmo símbolos universais, que  estão introjetados no consciente coletivo, também podem significar um coisa completamente diferente para alguém. Um exemplo é a serpente. Ela é vista há séculos pelo cristianismo como algo impuro e nocivo. Muitos atribuem sua aparição em sonhos como falsidade, inveja e malefícios devido a má reputação que ela ganhou. Já eu, que sempre fui uma filha da Deusa, mesmo sem saber, e sempre gostei desse animal, tenho outra visão dele e, para mim, ele representa algo totalmente diferente. 

     Dentro da cultura indiana,  a serpente é associada a energia da Kundalini, a força espiritual que todos temos latente na base da nossa coluna. No xamanismo, este animal é visto como uma força poderosíssima de transmutação e transformação. No Caminho da Deusa, a serpente é “simplesmente” um de Seus símbolos, e por consequência, o símbolo do feminino. Um símbolo de sabedoria, de vida e de crescimento. Eu, então, que tenho muito mais afinidade com esses caminhos espirituais, percebo o simbolismo da serpente de acordo com eles. 

Já sonhei muito com a serpente em diversas fases da minha vida e, em cada um desses sonhos, eu percebia a forma como ela se apresentava, o que queria me dizer. Num desses sonhos, por exemplo, por todo o seu contexto, eu percebi que ela me sugeria a voltar a praticar a dança do ventre que eu havia parado por um tempo. 

     Por isso que eu digo, tudo é muito pessoal. E acredito que somente a própria pessoa pode desvendar as mensagens de seus próprios sonhos. Muitas terapias trabalham com a interpretação de sonhos. As que eu já fiz nunca tiraram esse poder das minhas mãos querendo interpretá-los por mim. Sempre me questionaram sobre cada significado simbólico, mas permitindo que eu mesma os desvelasse. Falo isso, porque as terapias mais ortodoxas e tradicionais insistem em tirar o poder da mão do paciente e fazê-lo um dependente da terapia e do terapeuta. Por isso todo cuidado é pouco na hora de escolher o tipo de terapia e o profissional. 

Muitas vezes quando você também vai contar um sonho simbólico para um amigo deve ter cuidado. Pois o amigo pode interpretar da maneria dele e você se confundir. Outro dia mesmo passei por isso. Contei um sonho que havia tido para uma amiga muito querida, que na maior das boas intenções deu a interpretação dela. Percebi depois que ela visualizou o sonho de forma diferente de como ele realmente ocorrera. O sonho que eu tivera, em verdade, estava respondendo a uma dúvida minha, foi muito claro isso para mim. Minha amiga, no entanto, com base em um “detalhe” do sonho, que ela entendeu de outra forma, fez a sua interpretação pessoal. E mesmo que no sonho houvesse o símbolo  que ela achou que existia, a interpretação correta poderia ser diferente. 

     Muitas vezes não nos sentimos aptos para fazer as coisas sozinhos, tomar decisões, etc. Mas mesmo com essa dificuldade acredito que no fundo apenas nós próprios sabemos de nós. Não quero dizer com isso que não precisamos dos outros e que somos autossuficientes. Precisamos de amigos,  de conselhos e da troca. Mas acredito que quanto mais possamos responder por nós mesmos, a partir de um estado de centramento e equilíbrio, melhor. Começar a observar nossos sonhos e sua simbologia pode ser difícil e trabalhoso, mas compensa muito. Nos faz  nos entendermos e nos conhecermos melhor, alem de nos deixar aptos para decifrarmos as mensagens que nos são enviadas pelo universo. 

     Diane Stein em seu livro As Sacerdotisas dá uma sugestão de acompanhamento dos sonhos para irmos nos familiarizando com nossos símbolos pessoais. Devemos anotar nossos sonhos de preferência logo no momento em que acordamos, com o maior número de detalhes possível. Como é um livro voltado para a espiritualidade feminina, ela sugere que anotemos junto a fase da lua e o dia do ciclo menstrual. Eu sugiro ainda que junto anotemos também as questões de nossas vidas, se há algo importante a ser decidido, enfim, algo que esteja  mobilizando a nossa atenção. 

     Muitas vezes é estudando esses sonhos que,  um tempo depois, vamos conhecendo os nossos próprios simbolismos. Por isso é importante mantermos nosso diário de sonhos e o lermos periodicamente. Mesmo que você não consiga fazer essas anotações diariamente, faça-as sempre que tiver um sonho que considere mais relevante. O pouco é melhor que nada, mas o suficiente é melhor ainda. 

Por Anna Leão (Favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).




domingo, 11 de dezembro de 2016

IDEALISMO X QUEBRA DE PADRÕES



    Muito já falei em meus textos sobre quebra de padrões. Quem me acompanha desde  março de 2008, no Metamorfose, já deve ter lido vários textos meus sobre o assunto. Idealismo também é um tema que permeia meus artigos, pois me permeia. Sempre me coloco como uma pessoa muito idealista, e realmente sou. Porém, tenho percebido, ultimamente, o quanto devemos tomar cuidado com o nosso idealismo no sentido de não percebermos quando estamos presos a padrões que devem ser quebrados, pois não nos fazem chegar a lugar nenhum em vários níveis.

    Tenho tido muitos insights ultimamente. Esse despertar interno, podemos chamar assim, está me fazendo rever muitos posicionamentos meus, até mesmo de estilo de vida. Não dá para sermos idealistas a la Dom Quixote! Temos que empenhar o nosso ideal no mundo real e não ficarmos esperando que um milagre aconteça e venha nos salvar, ou fazer com que tudo aconteça como queremos.

    Percebo que quebrar padrões é muito mais do que eu imaginava. Não é só deixar de ter medo de algo, ou desenvolver uma maior autoconfiança. Isto todo mundo quer! E a maioria vai se esforçar para isto, ou para obter qualquer qualidade que vá ajudar na sua vida e no seu viver. Quebrar padrões é verdadeiramente deixarmos ideais de lado quando vemos que eles não correspondem à realidade.  É fazer e não esperar! Como dizia nosso Geraldo Vandré em seu lindo hino, “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

    Quando se fala em quebrar padrões, fala-se muito em romper com crenças obsoletas e comportamentos velhos e desgastados. Percebo que muitas dessas crenças obsoletas contém muitos ideais, ou pelo menos formas enraizadas e rígidas de ideais e de perseguir esses ideais. Não é para não querermos mais nossa vida ou o mundo como queríamos, não é para deixarmos de acreditar no que acreditamos, mas devemos mudar esta forma de querer e de acreditar. Se não, podemos cair na ilusão, na passividade, no radicalismo. Podemos deixar passar nossa vida esperando a concretização de nossos ideais se recusarmos a fazer diferente, a experimentar, a descobrir novos potenciais e formas de encarar a realidade. Pois muitas vezes  a realidade está nos mostrando que não dá para ser do jeito que queremos, mas continuamos teimosos, baseados em nossos ideais, e com isto nos fechamos para a  verdadeira transformação.

     Muitas vezes os nossos ideais podem ser postos em prática de outra forma. E é isto que precisamos perceber. Perceber quando estamos dando murro em ponta de faca e não vendo uma outra alternativa, que a princípio pode até parecer o oposto de nossos ideais, mas será ali que iremos nos realizar. Sabe por quê? Porque é ali que estaremos agindo e vendo resultados concretos. E aí perceberemos que há outras maneiras de trazer o Céu para a Terra, talvez de uma forma não tão glamourosa, e sim mais árdua e desafiadora, e talvez por isto mesmo mais compensadora.


     A quebra de padrões é profunda e realmente significativa quando nos deixamos morrer para podermos renascer. É pensarmos de uma forma que nunca imaginamos pensar, é mudar completamente o nosso estilo de vida, ou mesmo o nosso cotidiano. Tudo isto em conexão com a verdadeira realidade. Quebrar padrões é colocar os pés no chão, ou a cabeça nas nuvens, vai depender da pessoa.

    Quantas vezes ao nos conscientizarmos da necessidade de uma grande mudança em nós, esbarrando nos primeiros fracassos  logo racionalizamos, “ Ah, está vendo, não tinha que ser assim mesmo...é mesmo para eu não fazer isto... ou.... para não ir por este caminho”. Pensamos isso e deixamos o padrão antigo vencer! Muitos de nós pensa que era o fluxo da vida mostrando que não era para mudar, que estaríamos nos desviando de nosso destino ou objetivo... Não! Estamos aqui para nos superarmos, para nos transformarmos, isto é crescer, é evoluir! Se a ideia lhe ocorreu, se algo dentro de você gritou mais alto, nem que apenas uma vez, e você se deslumbrou com a possibilidade, mesmo que logo depois tenha achado uma loucura,  não importa, um novo caminho foi mostrado, um novo você quis se revelar! Mas lembre-se: você precisa ter se entusiasmado de fato com a ideia, nem que em apenas um momento. Se seu coração em nenhum instante pulsou de alegria com ela, descarte-a, provavelmente a ideia não foi sua.

    Os padrões antigos querem ficar, imagina quanto tempo estiveram com a gente. A força do hábito também é muito forte. Mas muitas vezes os fracassos iniciais são testes para nos mostrar se conseguiremos vencer os antigos padrões, se conseguiremos nos superar e nos metamorfosear. Pensemos bem, a lagarta não é nada parecida com a borboleta. São seres completamente distintos, mas foram o mesmo ser!

    “E quando devo quebrar padrões?”- Você pode me questionar. Eu lhe respondo com uma lista de respostas: quando sua vida está exigindo isto (você sente, mesmo que não queira); quando você não se sente bem, produtiva, inteira; quando as coisas não estão como você gostaria; quando você sente que tem algo faltando; quando há uma inquietação interna mesmo que aparentemente esteja tudo nos eixos; quando você está há  muito tempo tentando, tentando, tentando, e nada, continua insatisfeita sem alcançar o grande objetivo;  quando...bem, você no fundo vai saber. 


Por Anna Leão (favor mencionar a fonte e autoria ao reproduzir este texto).



sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

UM POUCO DE FANTASIA...

 A RAINHA DA FLORESTA E A RAINHA DA FLORESTA E A DEUSA DA TERRA ESTÃO  COM PREÇO PROMOCIONAL DE NATAL.  É SÓ CLICAR AQUI PARA CONHECER UM POUCO MAIS DAS OBRAS E GARANTIR OS SEUS EXEMPLARES.  A SEGUIR CONTO COMO FUI INSPIRADA PARA A CRIAÇÃO DA HISTÓRIA.







A ideia da história, ou pelo menos de seu fundamento, é antiga. Seu embrião veio em minha mente nos anos 90, enquanto eu ouvia músicas da grande artista inglesa Kate Bush. Ouvia seu disco (que na verdade era uma fita gravada de canções mais antigas de Kate) e imaginava um show, uma ópera rock. E baseado nos títulos das canções e na melodia que me inspirava, foi se desenhando em minha imaginação a base da história de Anaís, como você deve saber, a protagonista de minha obra. 

Eu não dominava o inglês, por isto não entendia bem a letra, uma palavra ou uma frase ou outra. Eu me deixei levar mesmo pela melodia e pelo título das músicas.  Na época, eu não pensava em ser escritora - embora eu gostasse de escrever desde pequena - e a ideia ficou apenas na minha imaginação como um deleite. A primeira vez que ela foi para o papel, foi no ano seguinte, mas como material para um laboratório de dança. Eu fazia o curso de formação em dança contemporânea na escola de Angel Vianna. Havia uma cadeira, composição coreográfica, cujo o professor  propôs que cada aluno desse uma aula/laboratório em cima dos contos de fadas e suas simbologias. Cada aluno escolheu um conto e eu escolhi a história que eu havia imaginado um ano antes. Era necessário escrevê-la já que ninguém a conhecia. Naquela ocasião não tinha o título de A Rainha da Floresta. Não lembro que título dei.  

O melhor de tudo foi que eu pude fazer todo o laboratório com as músicas de Kate, que havia me inspirado. É claro que naquela época eu não tinha em mente a história completa como se tornou hoje. Mas havia a base inicial que cabia perfeitamente na proposta do professor. A princesa que se descobre uma bruxa e a partir daí passa por uma grande transformação, por processos de rejeição em seu meio ambiente, que enfrenta o desconhecido e se pergunta quem realmente é, abre uma gama enorme de possibilidades dentro de um trabalho naqueles moldes.

Devo dizer que o resultado foi positivo e as pessoas aplaudiram a minha ousadia de levar algo criado por mim. Lembro que uma colega me pediu o resumo da história para ler para o seu filho que tinha medo de bruxa, com a intenção de acabar com o  seu medo.  A partir deste dia, fiquei motivada em realmente desenvolver aquela fábula e lançá-la como livro. Mas isto teve que esperar alguns anos...




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

RABISCOS DE ANNA II




Serenidade, intensidade
Intensidade, serenidade...

Como posso angustiar-me se sei que sou uma alma intensa em busca de paz, tranquilidade e serenidade?
E quando tenho tanta calma me sinto em busca da paixão, da ânsia, do vigor da intensidade...

Oh alma contraditória esta minha! Por que não buscar o caminho do meio e se contenta com isto?

 Ela me diz que o equilíbrio amortece a intensidade e sufoca a serenidade. Será? Será mesmo?!

Talvez os dois possam coexistir juntos, em harmonia...

E como você irá sentir a intensidade em equilíbrio?

 Mas sentir a serenidade em equilíbrio é possível, é fácil.
Porque o equilíbrio é sereno, já a intensidade não.

 Então a intensidade não combina com equilíbrio? Então, quando equilibramos a intensidade paramos de tê-la?

Sim. Parece-me que sim. A intensidade é desequilíbrio. Equilibrada é perdê-la. E não vale a pena perdê-la em nome da serenidade. Para a verdadeira serenidade sim. Mas poucos a conhecem. Para muitos esta suposta serenidade é apenas uma pausa para a intensidade. E então as pessoas acham que se equilibraram.... Pobre ilusão...

Anna Leão (favor mencionar fonte e autoria ao reproduzir este texto).



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

SAINDO DA ZONA DE CONFORTO I


   Vamos voltar a falar da zona de conforto? Vocês lembram que falei o quanto é importante termos a disposição de sairmos da zona de conforto se quisermos crescer ou mudarmos a nossa vida significativamente. Vamos continuar falando disto mais um pouco, pois este assunto da pano pra manga! Rs

   É natural do ser humano buscar conforto e comodidade. Mas se pararmos para pensar bem, veremos que isto é verdade até um certo ponto, pois se não, corremos o risco de estagnarmos e vivermos num marasmo tedioso. Você pode chegar e me dizer: "não corro esse risco, pois trabalho muito e não tem como minha vida ficar tediosa". Sim, concordo. Tédio não existirá, mas comodismo e hábito sim, e isto ao longo de muito tempo pode não ser bom. 

Eu pergunto para você: nesta sua rotina estafante você abre espaço para se divertir, para ter prazer? Não vale um programinha de TV antes de dormir. Isto serve para relaxar, não realmente para te satisfazer. Quem sabe se você não fosse fazer aquela aula de dança que tanto lhe dava prazer? Não seria mais gratificante? Ou quem sabe aquele curso de pintura ou um chopinho no bar com os amigos? É claro que cada pessoa é única e o que é prazeroso para uma, pode não ser para outra. Com isto eu digo que o mais importante para você é saber, de fato, se já está na hora de largar a zona de conforto. "Como vou saber?" Simples. Faça as seguintes perguntas para você mesmo: Eu estou feliz? Estou me sentindo bem? Me sinto leve, interessado pela vida? Se a resposta a todas estas questões forem positivas, perfeito, você está crescendo. Mas se não, se há alguma insatisfação, alguma inquietação, se você sente alguma frustração, está na hora de criar coragem e procurar uma mudança significativa na sua vida. Como você irá fazer isto é com você, mas uma coisa é certa: você terá que sair da zona de conforto.

   O desconhecido gera desconforto, isto é natural. É importante que você saiba disso. Mas para mudar, para resolver questões internas ou mesmo externas - já que o externo é reflexo do nosso interior- precisamos olhar para a  frente, para o novo, e o novo é desconhecido. Dá aquele friozinho na barriga e a vontade de se agarrar aos velhos hábitos, conceitos, padrões e ao que dá segurança. Não nos permitimos  sair da zona de conforto. Então, sinto comunicar,  não alcançaremos mudança nenhuma, não cresceremos, nem evoluiremos. Por exemplo, quantas pessoas você conhece que fazem terapia há anos e suas vidas continuam da mesma maneira? Essas pessoas não conseguem sair da zona de conforto e dar o pulo do gato. E é por isto que eu, pessoalmente, prefiro terapias mais dinâmicas que trabalham com o comportamento das pessoas de uma forma mais prática, do que as terapias puramente analíticas.

   A maioria das pessoas espera sentir a vontade, o ímpeto, de mudar seu comportamento para, então, colocar tudo em prática. Mas isto não funciona. Tem uma hora que precisamos fazer um esforço. Você não pode esperar as coisas acontecerem espontaneamente porque isso não vai acontecer nunca se não tiver um empurrão consciente da sua parte. Você precisa colocar a mudança em andamento, na prática, no seu comportamento. E quanto mais você for fazendo isto, mais fácil se tornará, e chegará um dia em que acontecerá automaticamente. Lembra que falei que tudo é uma questão de hábito? Um dia assisti a um programa de TV no qual um salva-vidas que fazia resgate no mar, de helicóptero, falou algo que ilustra bem o que digo. Foi perguntado a ele se ele não tinha medo. Ele então respondeu que no início sim, mas que de tanto fazer aquilo passou a se acostumar, passou a ser conhecido. E ele mesmo afirmou: "Se tornou conhecido e quando se torna conhecido você perde o medo, o desconforto." 

   A vida é assim, gente! Queremos crescer, queremos mudar? Temos que ousar, temos que largar a segurança, temos que sair da zona de conforto. Quando nos acostumamos já está na hora de dar o outro salto, está na hora de mudar, de desacostumar, de encarar o novo, de encarar mais um desafio, de se superar!

Por Anna Leão (favor mencionar a fonte e autoria ao reproduzir este texto).